📋 Panorama do Projeto

Tema Central

Realizar operações com drones de asa rotativa (quadrirotores) para mapeamento, monitoramento e inventário de ambientes marinhos em costões rochosos, utilizando fotogrametria como técnica principal de coleta de dados. O projeto integra legislação aeronáutica brasileira, segurança operacional e boas práticas de campo.

Contexto e Relevância

O que será feito

1️⃣ Preparação Regulatória

Cumprimento de normativas DECEA, obtenção de autorizações, avaliação de risco operacional (ARO) e certificação do piloto remoto.

2️⃣ Coleta de Dados

Voos fotogramétricos em costões rochosos com sobreposição de imagens (80% frontal, 60% lateral) para reconstrução 3D.

3️⃣ Processamento

Ortomosaicos, nuvem de pontos, modelos de elevação digital (DEM) e análise de cobertura biológica em GIS.

4️⃣ Monitoramento Temporal

Campanhas repetidas em diferentes estações para avaliar mudanças sazonais e impactos ambientais.

Perguntas que o projeto responde

💡 Mensagem-chave: Operações com drones em costões rochosos exigem conhecimento técnico, rigor regulatório e planejamento estruturado para gerar dados de qualidade e garantir a segurança operacional.

✅ Checklist Rápido de Legibilidade (especialmente no modo escuro)

Todos os parágrafos estão legíveis sem esforço visual em telas de notebook e celular.
Títulos e subtítulos têm contraste suficiente para leitura rápida.
Caixas de destaque, checklist e cards não apresentam texto escuro sobre fundo escuro.
Tabelas estão legíveis em modo claro e escuro, incluindo cabeçalho e células.
As cores funcionam mesmo com brilho de tela reduzido em campo.

⚖️ Legislação Aplicada a Operações com Drones

PORTARIA DECEA Nº 2.094/DNOR8 - 18/03/2026

ICA 100-40/2026 como Referência Operacional

A ICA 100-40 complementa a Portaria DECEA Nº 2.094/DNOR8 como documento de consulta rápida para enquadrar a operação RPAS, registrar responsabilidades e conferir limites operacionais antes do voo.

  • Teto operacional: manter o limite de 400 pés AGL (aprox. 120 m) salvo autorização específica.
  • VLOS em costões: manter linha de visada direta durante toda a operação, com observador quando o relevo ou névoa costeira reduzir a percepção visual.
  • Rastreabilidade: manter autorização, ARO, dados da aeronave e identificação do piloto anexados ao registro da missão.

Principais Conceitos

O que é RPAS?

RPAS (Aeronave Remotamente Pilotada) é um conjunto de componentes que inclui a aeronave não tripulada, a estação de controle remoto, os links de comunicação e todos os elementos necessários para operar com segurança. Diferencia-se de aeromodelos por ser operado para fins profissionais (mapeamento, monitoramento, inspeção).

RPAS vs Aeromodelo

Critério RPAS Aeromodelo
Finalidade Profissional (trabalho, pesquisa) Recreativa
Regulação DECEA/ANAC DECEA (menor rigor)
Certificação Piloto Obrigatória (curso + prova) Não obrigatória
Autorização Voo DECEA (ARO) Notificação simples
Seguro Recomendado Opcional

Acesso ao Espaço Aéreo Brasileiro

Classes de Espaço Aéreo

Operações com RPAS em costões rochosos ocorrem em espaço aéreo não controlado (até 400 pés de altura). Mesmo assim, toda operação deve ser notificada à DECEA.

Requisitos para Autorização

  • Piloto Certificado: Curso CORPAS + Prova teórica DECEA
  • Aeronave Certificada: Registro junto à ANAC
  • Avaliação de Risco Operacional (ARO): Conforme SANAC 93-001
  • Coordenadas GPS: Área de operação mapeada
  • Notificação DECEA: Com antecedência mínima (1-7 dias)
  • Seguro: Responsabilidade civil recomendado

Restrições Operacionais

Considerações para Costões Rochosos

🌊 Ambiente Marinho

Costões em zona costeira exigem coordenação com Marinha do Brasil se próximos a instalações militares.

🏞️ Unidades de Conservação

Se localizado em APA, Parque ou Reserva, obter autorização ambiental prévia (IBAMA/ICMBio).

⚡ Segurança Operacional

Terreno acidentado, ventos costeiros e proximidade com água exigem avaliação rigorosa de risco.

🛸 Tecnologia de Drones

Principais Modelos para Fotogrametria

Quadrirotores Profissionais

Exemplos: DJI Phantom 4 Pro, DJI Mavic 3, Freefly Astro.

Vantagens: Câmeras de alta resolução, estabilizadores, RTH (Return to Home).

Uso: Fotogrametria em costões de pequena a média escala.

Drones de Asa Fixa

Exemplos: senseFly eBee X, Freefly Puma.

Vantagens: Autonomia estendida, cobertura de grandes áreas.

Uso: Levantamentos de costões extensos.

Drones com Sensores Especializados

Exemplos: DJI Matrice 300 + Payload multiespectral.

Vantagens: Câmeras térmicas, multispectrais, LiDAR.

Uso: Análise de cobertura vegetal, stress térmico.

Câmeras e Sensores

Especificações para Fotogrametria

Tecnologias de Aerodinâmica

Sustentação em Quadrirotores

Quadrirotores geram sustentação através de 4 hélices. A variação de velocidade dos motores permite controle de pitch (inclinação frontal), roll (inclinação lateral), yaw (rotação vertical) e throttle (altitude).

Fatores que Afetam Voo em Costões

Programas e Aplicativos Recomendados

Planejamento de Voo

Processamento Fotogramétrico

Análise em GIS

📝 Metodologia Pré-Campo

Fase crítica onde se definem protocolos, verificam-se equipamentos e cumprem-se obrigações legais.

1. Pesquisa e Planejamento (2-4 semanas antes)

📍 Definição da Área de Estudo

  • Selecionar costões rochosos com base em critérios científicos (biodiversidade, acessibilidade, etc.)
  • Obter coordenadas GPS exatas (WGS84, fuso UTM para Brasil)
  • Consultar mapas de maré (tábuas de maré para período de campanha)
  • Verificar horários de nascer/pôr do sol (operação diurna obrigatória)
  • Identificar restrições: Unidades de Conservação, propriedades privadas, zonas de exclusão aérea

📋 Revisão de Legislação e Autorizações

  • DECEA: Consultar mapa de restrições de espaço aéreo (e-NotaM)
  • IBAMA/ICMBio: Se em UC, solicitar licença ambiental
  • Prefeitura Local: Verificar restrições municipais
  • Marinha do Brasil: Se próximo a instalações costeiras militares
  • Proprietários de Terra: Obter permissão escrita para acesso terrestre

🎯 Desenho do Plano de Voo

  • Definir altura de voo (recomendado 80-120 m para costões rochosos)
  • Calcular GSD (tamanho do pixel no terreno): GSD = (H × w) / (f × s)
    H=altura, w=largura sensor, f=focal, s=resolução sensor
  • Estabelecer sobreposição: 80% frontal, 60% lateral (padrão fotogrametria)
  • Estimar área de cobertura e tempo de voo
  • Plotar coordenadas de decolagem e waypoints em software (DJI FlightPlanner, UGCS)
  • Simular trajetória em ortofoto do Google Earth

🧰 Materiais e itens críticos do drone

  • Aeronave: drone configurado para fotogrametria, com firmware atualizado
  • Hélices reserva: substituição rápida em caso de dano ou desgaste
  • Baterias extras: pelo menos 2 baterias adicionais por campanha
  • Cartões SD: formatados, com capacidade livre e leitor compatível
  • Controle remoto: carregado, calibrado e com cabo/adapter adequado
  • Tablet ou celular: com app de voo instalado e espaço livre
  • Anemômetro: para verificar vento real no costão
  • Kit de limpeza: pano de microfibra, soprador e proteção para lente/gimbal
  • Isolamento: cones, fita de sinalização e colete de segurança
  • Documentos: autorização, ARO, registro e contato da equipe

2. Avaliação de Risco Operacional (ARO) - SANAC 93-001

Obrigação Legal: Toda operação com RPAS requer ARO conforme SANAC 93-001.

Fatores de Risco para Costões

Terreno: Acidentado (costões) = Alto risco. Exigir altura mínima 50 m acima picos
Vento: Costeiro ≥ 10 m/s = Inviável. Limite: 8 m/s para quadrirotores
Proximidade com Água: Risco de perda de aeronave. Zona de exclusão 30 m
Visibilidade: Névoa costeira reduz VLOS. Máx 100 m visibilidade horizontal
Pessoas: Acesso público ao costão? Risco de sobrevoo. Isolar área ou notificar
Fauna: Ninhos de aves? Evitar época de reprodução ou distância >100 m
Bateria: Temperatura operacional 15-25°C. Custodia extra em dias quentes

3. Documentação e Certificação

Piloto Remoto (Operador)

Aeronave

Notificação DECEA

4. Checklist de Equipamento (1 dia antes)

Drone: Inspeção visual (hélices, estrutura, câmera), teste de conectividade
Baterias: Carregar 100%, verificar saúde (ciclos de carga), armazenar adequadamente
Cartão SD: Formatar, capacidade mínima 128 GB para costão pequeno
Controle Remoto: Carregar, atualizar firmware se necessário
Smartphone/Tablet: Instalar app pilotagem (DJI Go 4), GPS ligado
Mochila/Proteção: Case resistente, protetor câmera, suportes
Documentação: Certificado piloto, registro drone, notificação DECEA
Segurança: Coletes de segurança, fita sinalização, cone, primeiros socorros

5. Comunicação e Logística

🎬 Metodologia Durante Campo

Execução rigorosa dos protocolos, com segurança como prioridade máxima.

1. Setup de Campo (30-45 min antes)

1

Preparação da Área

  • Sinalizar zona de operação com cones e fita
  • Medir velocidade do vento in loco (anemômetro)
  • Registrar condições meteorológicas (nuvem, visibilidade, temperatura)
  • Verificar ausência de pessoas na zona de risco (raio 30 m)
  • Identificar obstáculos (rochas, cabos, pássaros)
2

Inspeção Pré-Voo

  • Verificar hélices: sem danos, bem presas
  • Testar motores: rotação suave, sem ruídos anormais
  • Câmera: limpar lentes, teste de foco, balanço de branco
  • Gimbal: movimento suave 360°, sem emperramentos
  • Bateria: indicador verde, contatos limpos
  • Cartão SD: formatado, espaço livre verificado
3

Calibração

  • Calibração de Bússola: girar drone 360° em dois planos (lugar plano, longe de metal)
  • Calibração IMU (se indicado): em local plano, sem movimento
  • GPS: aguardar mínimo 10 satélites visíveis (indicador azul)
  • RTH (Return to Home): configurar altura de retorno (50 m recomendado)
4

Verificação de Software

  • Abrir app de pilotagem (DJI Go 4)
  • Conectar controle remoto ao smartphone/tablet
  • Verificar firmware drone/controle (atualizar se disponível)
  • Testar vídeo ao vivo: qualidade, lag mínimo
  • Carregar plano de voo (DJI FlightPlanner) ou definir waypoints manualmente

2. Execução do Voo

Fases do Voo Fotogramétrico

🚁 Decolagem

  • Verificar VLOS: piloto deve ver drone o tempo todo (máx 100 m)
  • Levantar lentamente até 5 m de altura
  • Verificar estabilidade: responde bem aos comandos?
  • Se anomalia detectada: pousar imediatamente
  • Iniciar gravação de vídeo antes de sair do hover

📸 Fase de Coleta Automática

  • Iniciar plano de voo automático no app
  • Drone faz grid com sobreposição pré-configurada
  • Monitorar altitude, bateria e indicadores de sinal
  • Manter olhar constante no drone (VLOS obrigatório)
  • Registrar hora exata do início (para sincronização de câmera)
  • Tempo típico: 15-25 min para costão pequeno (< 5 hectares)

📷 Verificação de Qualidade em Tempo Real

  • Acompanhar contador de fotos no app
  • Estimar cobertura: N_fotos × GSD = área_coberta (aproximado)
  • Se cobertura insuficiente: planejar segundo voo
  • Se problema técnico: ativar RTH (Return to Home)

🛬 Pouso e Desligamento

  • Finalizar plano de voo (retorna automaticamente)
  • Pouso automático na área de decolagem (RTH)
  • Se necessário controle manual: descer lentamente
  • Parar motores: desligar controle remoto após repouso
  • Descarregar bateria se encerrado (deixar 20% para próximo dia)
  • Ejetar cartão SD com cuidado

3. Registro de Dados de Campo

Planilha de Voo (essencial para rastreabilidade)

Preencher após cada voo:

4. Cuidados de Segurança Durante Voo

⚠️ Protocolo de Emergência

  • Perda de Sinal: Drone ativa RTH automático. Observar se pousa no local certo
  • Bateria Baixa: App avisa em 30%. RTH ativado automaticamente
  • Panes Motores: Drone cai. Isolar zona. Não recolher até aprovação
  • Vento Forte Repentino: Interromper missão, ativar RTH, pousar
  • Pessoa Entrando na Zona: Interromper, chamar pessoa, avisar
  • Falha Gimbal/Câmera: Abortar voo, descartar dados se suspeitar má qualidade

5. Segundo Voo (se necessário)

6. Monitoramento Visual (VLOS)

Obrigação Legal: Piloto remoto deve manter visada direta (VLOS) do drone durante todo o voo. Máxima distância recomendada: 100-120 metros horizontalmente. Use observador de segurança como backup.

💾 Metodologia Pós-Campo

Processamento de dados, garantia de qualidade e geração de produtos científicos.

1. Backup e Segurança de Dados (24h após campo)

1

Transferência Imediata

  • Conectar cartão SD em computador (leitor USB-C/SD)
  • Copiar pasta de imagens para SSD externo de trabalho
  • Verificar integridade: nº de arquivos = nº de fotos no voo
  • Copiar também arquivo de metadados do drone (se disponível)
2

Backup em Nuvem

  • Google Drive/OneDrive: 2 cópias em nuvem independentes
  • Pastas estruturadas: /Costão_RochosoX/Data_YYYY-MM-DD/
  • Tempo: ~2-4 horas para 500-1000 imagens via upload
3

Backup Local Redundante

  • HDD externo 2 TB (dados brutos)
  • NAS institucional (UFSC se disponível)
  • Manter original no cartão SD até processamento completo

2. Controle de Qualidade de Imagens

Inspeção Visual das Fotos

Limpeza de Dados

3. Processamento Fotogramétrico (7-14 dias)

Software Recomendado: Pix4D ou Agisoft Metashape

Fluxo Pix4D

  1. Novo Projeto: Criar projeto, nomear "Costão_RochosoX_YYYY-MM-DD"
  2. Importar Imagens: Carregar todas as imagens (centenas a milhares)
  3. Parâmetros:
    • Tipo câmera: Especificar modelo (ex: DJI Phantom 4 Pro)
    • GSD Target: 2 cm/pixel recomendado
    • Coordenadas: Inserir GPS da área (WGS84)
  4. Initial Processing: Detecção de keypoints, alinhamento (20-60 min)
  5. Point Cloud: Geração de nuvem de pontos (30-90 min)
  6. DSM/DTM: Modelo de superfície digital (10-30 min)
  7. Ortomosaico: Mosaico final de alta resolução (30-120 min)
  8. Exportar: GeoTIFF, LAS, OBJ para GIS

Outputs Esperados

4. Análise em GIS (QGIS/ArcGIS)

Preparação de Camadas

Análise de Cobertura Biológica

Mapas de Saída

5. Relatório Técnico (Entrega Final)

Estrutura Recomendada

6. Monitoramento Temporal

Comparação Entre Campanhas

Série Temporal de 2-3 Anos

7. Arquivamento e Disseminação de Dados

Repositório de Dados

Metadados (ISO 19115)

⚠️ Segurança de Voo e Operacional

1. Sistema SIPAER (Prevenção de Acidentes)

O que é?

SIPAER (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) é a estrutura brasileira para investigação de acidentes aéreos. Embora focado em aviação civil, seus princípios de segurança se aplicam a RPAS.

Princípios SIPAER

2. Fatores de Risco com Drones

🌪️ Meteorologia

Risco: Vento > 10 m/s, chuva, trovões.

Mitigação: Anemômetro, previsão INMET, abortar se rajadas > 8 m/s.

🔋 Bateria

Risco: Falha elétrica, queda repentina.

Mitigação: Testar saúde, carregar 100%, repouso 10-15 min entre voos.

📡 Sinal GPS/Rádio

Risco: Perda de comunicação, drone descontrolado.

Mitigação: RTH configurado, operação longe de fontes de interferência, verificar satélites.

👨‍✈️ Fator Humano

Risco: Fadiga, falta de atenção, erro operacional.

Mitigação: Pausas regulares, dupla verificação, protocolo pré-voo.

🏔️ Terreno

Risco: Colisão com rochas, árvores, estruturas.

Mitigação: VLOS obrigatório, simulação 3D em Google Earth, evitar voos rasantes.

🌊 Proximidade com Água

Risco: Queda, perda de dados, recuperação impossível.

Mitigação: Zona de exclusão 30 m, flutuadores opcionais.

3. Avaliação de Risco Operacional (ARO) - Exemplo Prático

📋 Checklist ARO para Costão Rochoso

Referência: SANAC 93-001

  • Risco Terreno: Alto (relevo acidentado) → Reduzir altura de voo, aumentar buffer
  • Risco Vento: Médio (costeiro típico 5-7 m/s) → Abortar se > 8 m/s
  • Risco Água: Alto (proximidade) → Flutuadores recomendados
  • Risco Pessoas: Baixo (área isolada) → Confirmado; manter sinalização
  • Risco Fauna: Médio (época reprodução aves) → Evitar período de nidação
  • Risco Equipamento: Baixo (manutenção em dia) → OK para voo
  • Classificação Final: MODERADO → Autorizado com condições

4. Protocolo de Emergência

Perda de Sinal: Drone ativa RTH automaticamente. Monitorar se retorna ao local correto. Se não retornar, documentar coordenadas last-known e notificar DECEA.
Falha de Motor: Drone cai. NÃO tocar até repouso total (30 seg). Fotografar local. Notificar DECEA se queda próxima a pessoas/propriedade.
Colisão em Voo: Drone ferido ou queda. Parar missão imediatamente. Tomar primeiros socorros se pessoa atingida (raro, pois voo em área isolada).
Incêndio Bateria: Bateria inchada ou queda = potencial incêndio. Usar extinguidor de CO2 se disponível. Afastar pessoas 10 m. NÃO usar água.
Pessoa Entrando Zona: Chamar para parar. Pausar voo. Avisar sobre risco. Retomar apenas com aprovação.

5. Manutenção e Integridade do Equipamento

Calibração Rotineira

Substituição de Componentes

6. Treinamento Contínuo

📚 Glossário Técnico

RPAS (Remotely Piloted Aircraft System)

Sistema de aeronave pilotada remotamente; inclui drone, controle, comunicação e operador.

DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo)

Órgão brasileiro responsável por regulação e controle de espaço aéreo, incluindo RPAS.

ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil)

Órgão regulador da aviação civil brasileira; certifica aeronaves e pilotos.

ARO (Avaliação de Risco Operacional)

Análise sistemática de risco de operação com RPAS; obrigatória conforme SANAC 93-001.

ICA 100-40

Instrução do Comando da Aeronáutica usada como referência para acesso ao espaço aéreo por aeronaves não tripuladas, incluindo limites operacionais, VLOS, responsabilidades e requisitos de autorização.

CORPAS

Curso de Operações com RPAS adotado como referencial teórico de capacitação da equipe, especialmente para piloto remoto e qualquer operador que possa assumir o controle do rádio durante a missão.

GSD (Ground Sample Distance)

Tamanho em metros de um pixel no terreno; menor GSD = melhor resolução.

VLOS (Visual Line of Sight)

Visada direta do piloto ao drone durante voo; obrigatório por lei brasileira.

RTH (Return to Home)

Função automática que retorna drone ao local de decolagem ao perder sinal.

Fotogrametria

Técnica de reconstrução 3D de objetos a partir de sobreposição de imagens 2D.

Ortomosaico

Imagem georreferenciada de grande área obtida pela junção de fotografias sobrepostas.

DEM (Digital Elevation Model)

Modelo digital de elevação; raster que representa topografia em pixeis de altura.

Nuvem de Pontos

Conjunto de pontos 3D (X, Y, Z) que representam geometria de objeto ou superfície.

Gimbal

Sistema mecânico com motores que estabiliza câmera em até 3 eixos durante voo.

Calibração de Bússola

Procedimento para resetar sensor magnético do drone; reduz erros de orientação.

IMU (Inertial Measurement Unit)

Sensor que mede aceleração e rotação; essencial para estabilidade do drone.

Costão Rochoso

Formação geológica de rochas consolidadas em ambiente marinho costeiro; habitat de alta biodiversidade.

Sobreposição (Overlap)

Percentual de área comum entre fotos consecutivas; tipicamente 80% frontal e 60% lateral em fotogrametria.

GIS (Geographic Information System)

Software para análise geoespacial; permite manipulação de shapefiles, rasters e análises topológicas.

SIPAER

Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos; base de segurança aeronáutica brasileira.

e-NotaM

Sistema eletrônico DECEA para notificação de operações aéreas; obrigatório para RPAS.

LiDAR

Light Detection and Ranging; sensor que mede distância usando laser; cria nuvem de pontos 3D de alta precisão.

WGS84

Sistema de referência geodésico global; padrão para GPS e coordenadas geográficas.

UTM (Universal Transverse Mercator)

Projeção cartográfica que divide Terra em fusos; Brasil usa fusos 21-25.

BVLOS (Beyond Visual Line of Sight)

Operação além da linha de visada visual do piloto; exige requisitos regulatórios adicionais e não se aplica ao protocolo padrão desta apresentação.

Ponto de Decolagem Segura

Área plana e desobstruída, sinalizada e isolada, usada para decolar e pousar com risco mínimo para equipe e terceiros.

Waypoint

Ponto geográfico programado no plano de voo automático; define rota, altitude e comportamento da aeronave.

Failsafe

Conjunto de rotinas automáticas de segurança (como RTH) acionadas em eventos críticos, por exemplo perda de sinal ou bateria baixa.

Geofencing

Barreira geográfica virtual que limita áreas de voo e impede entrada em zonas proibidas ou sensíveis.

Metadados EXIF

Informações embutidas nas imagens (GPS, hora, câmera, exposição) essenciais para rastreabilidade e processamento fotogramétrico.

RTK (Real-Time Kinematic)

Técnica GNSS de alta precisão centimétrica com correção em tempo real, útil para melhorar acurácia posicional dos produtos finais.

PPK (Post-Processed Kinematic)

Correção posicional aplicada após o voo, usando dados brutos GNSS; alternativa ao RTK para melhorar georreferenciamento.

GCP (Ground Control Point)

Ponto de controle em solo com coordenada precisa, usado para aumentar a qualidade geométrica do ortomosaico e do modelo 3D.

Check Point

Ponto independente de validação usado para medir erro posicional dos produtos sem influenciar o ajuste do modelo.

RMS Error (Erro RMS)

Indicador estatístico da diferença entre coordenadas observadas e estimadas; quanto menor, melhor a acurácia espacial.

DSM e DTM

DSM representa superfícies com objetos (vegetação/estruturas). DTM busca representar apenas o terreno, removendo elementos acima do solo.

Ortorretificação

Correção geométrica da imagem para remover deformações por relevo e perspectiva, permitindo medições espaciais confiáveis.

Sobreposição Frontal e Lateral

Percentuais de interseção entre fotos consecutivas no mesmo sentido (frontal) e entre faixas vizinhas (lateral), críticos para reconstrução 3D.

Rolling Shutter

Efeito de distorção causado por leitura sequencial do sensor durante movimento; pode degradar produtos fotogramétricos em voos rápidos.

Altura AGL (Above Ground Level)

Altitude medida em relação ao solo local, não ao nível do mar; parâmetro essencial para manter GSD consistente.

Declividade

Inclinação do terreno calculada a partir de modelos de elevação, importante para interpretar dinâmica de costões rochosos.

Baseline Ambiental

Conjunto de dados iniciais que serve como referência para comparar mudanças futuras em campanhas de monitoramento.

QA/QC (Quality Assurance / Quality Control)

Procedimentos de garantia e controle de qualidade que verificam consistência, completude e confiabilidade dos dados coletados e processados.

Plano Go/No-Go

Critérios objetivos para decidir executar ou abortar a missão com base em segurança, meteorologia, documentação e estado do equipamento.

📅 Cronograma Operacional

Cronograma Anual de Operações (Exemplo: 2026)

Q1

Primeiro Trimestre (Jan-Mar)

  • Planejamento: Definir áreas, obter autorizações ambientais
  • Capacitação: Curso CORPAS para piloto (se novo)
  • Teste: Voos de teste em área segura (não costão)
  • Notificação DECEA: Solicitar slot para campanhas Q2
Q2

Segundo Trimestre (Abr-Jun) - CAMPANHA 1

  • Voos em Campo: 2-3 campanhas em diferentes costões
  • Transferência Dados: Backup imediato
  • Processamento: Pix4D/Metashape dos primeiros mosaicos
  • QA/QC: Verificação de qualidade
Q3

Terceiro Trimestre (Jul-Set) - CAMPANHA 2

  • Análise GIS: Classificação de cobertura biológica
  • Novos Voos: Repetir costões em condições diferentes (maré, luz)
  • Comparação: Análise multitemporal Q2 vs Q3
  • Relatórios Parciais: Resumo para stakeholders
Q4

Quarto Trimestre (Out-Dez) - CAMPANHA 3 + SÍNTESE

  • Voos Finais: Complementar dados faltantes
  • Processamento Completo: Finalizar todos processamentos 3D
  • Relatório Final: Compilar resultados do ano
  • Arquivamento: Upload em Zenodo com DOI
  • Publicação: Submissão artigo/relatório técnico

Linha do Tempo Detalhada: Uma Campanha (Ex: 5 dias)

D-7

7 Dias Antes

  • Definir datas específicas de voo (checando maré, meteorologia)
  • Iniciar processo de notificação DECEA
  • Contactar proprietários/órgãos ambientais
  • Revisar manutenção do drone
D-3

3 Dias Antes

  • Confirmar autorização DECEA
  • Carregar baterias
  • Revisar plano de voo em software
  • Preparar gear (mochilas, cartões SD)
  • Comunicar equipe (local, horário, responsabilidades)
D-1

1 Dia Antes

  • Checagem final de meteorologia (previsão)
  • Inspeção completa do drone (hélices, bateria, câmera)
  • Reunião pré-voo com equipe
  • Descanso adequado do piloto
D0

Dia do Voo

  • 06:00 - Acordar, café
  • 07:00 - Sair do hotel/base
  • 08:00 - Chegar no costão
  • 08:30 - Setup campo: sinalização, checagem
  • 09:00 - Voo 1 (15-25 min)
  • 09:45 - Repouso bateria + dados 1
  • 10:00 - Voo 2 (se necessário)
  • 10:45 - Desmontagem, backup de dados em SSD
  • 12:00 - Retorno
D+1

1 Dia Depois

  • Transferência completa de dados para nuvem
  • Preenchimento de planilha de voo
  • Inspeção pós-voo do drone
  • Armazenamento correto de baterias
D+7

1 Semana Depois

  • Início do processamento fotogramétrico (Pix4D)
  • QA de imagens: validação visual de qualidade
  • Documentação em relatório parcial
D+30

1 Mês Depois

  • Processamento finalizado (DEM, nuvem de pontos, ortomosaico)
  • Importação em GIS (QGIS)
  • Início de análise de cobertura biológica

Marcos do Projeto Anual

Fase Duração Responsável Deliverable
Planejamento 4 semanas Pesquisador + GIS Plano operacional, autorizações
Campanhas de Campo 12 semanas (3x) Piloto + Técnico 500-2000 imagens/campanha
Processamento 3D 12 semanas (paralelo) Técnico SIG 3 mosaicos + DEM
Análise Temática 8 semanas Pesquisador + GIS Mapas cobertura biológica
Relatório + Publicação 6 semanas Pesquisador Relatório final, artigo
TOTAL ANUAL 52 semanas Equipe PPGOceano Dataset + Publicação

Condições de Parada (Go/No-Go)

NO-GO (Abortar Campanha):

  • Previsão meteorológica: vento > 8 m/s (não autorizável)
  • Drone em manutenção (falha crítica)
  • Piloto indisponível ou não certificado
  • Notificação DECEA negada
  • Pessoa doente na equipe

📎 Referências Rápidas

Documentos de apoio para consulta direta durante a apresentação, planejamento e execução das operações com drones.